Como funciona o clickbait - e como isso pode te ajudar a estudar inglês



Se você está lendo este post agora, tenho uma notícia pra você - você caiu no meu clickbait. O título deste post te atraiu de alguma forma e você não resistiu à tentação de clicar para saber mais.

Mas também tenho uma outra notícia; isso não é necessariamente ruim. Pode ser bom, se você entender como o clickbait funciona e usá-lo a seu favor na hora de estudar inglês (ou qualquer idioma).


Mas o que é clickbait?


Clickbait é um termo que se refere a um conteúdo da internet que é destinado à geração de receita de publicidade on-line, normalmente às custas da qualidade e da precisão da informação, por meio de manchetes sensacionalistas e/ou imagens em miniatura chamativas para atrair cliques e incentivar o compartilhamento do material pelas redes sociais. Manchetes clickbait costumam prover somente o mínimo necessário para deixar o leitor curioso, mas não o suficiente para satisfazer essa curiosidade sem clicar no conteúdo vinculado.

Existe um motivo bem definido para o clickbait ter se tornado algo tão comum no mundo online, e ele tem a ver com anúncios. Sim! A forma como somos bombardeados por fragmentos de informação hoje começou quando anunciantes perceberam que este tipo de informação pela metade com promessa de conteúdo de grande valor gerava mais clicks, e mais visitas, e consequentemente maior era o impacto gerado por anúncios.

Hoje, muitos youtubers, blogs e empresas utilizam o clickbait para atrair audiência para seus

produtos e serviços.


Como o clickbait funciona?


Não há uma única resposta para esta pergunta, mas vamos explorar aqui alguns dos motivos que tornam alguns títulos e imagens tão irresistíveis aos nossos olhos.

De modo geral, nós, seres humanos, temos a necessidade de buscar informação no mundo. É quase tão instintivo quanto era a busca por comida em nossos parentes mais distantes. Isto ocorre devido à complexidade de nosso cérebro e a forma como processamos informações e reagimos ao mundo. Todos nós desenvolvemos um sistema único de crenças, valores e informações que se conectam e formam o que nós somos. E também é constante a nossa necessidade de confrontar este “mundo de dentro” com o “mundo de fora”. Por algum motivo, aquele fragmento de informação presente numa manchete sensacionalista está conectado com alguma crença ou valor interno. Quase que instintivamente, clicamos. E os motivos são os mais variados: validar o que pensamos, sanar a nossa curiosidade, ser confrontado com alguma crença deste sistema interno, ou de fato aprender algo que não sabemos.


Porque o clickbait é tão poderoso?


Os motivos que nos levam a clicar estão enraizados no nosso cérebro. E os cálculos e tomada decisão de clicar acontecem em questão de milésimos de segundos. Essas microdecisões se transformam em ações, e no volume, e no longo prazo, acabam definindo a forma como estamos no mundo e lidamos com ele.

Bom, e se a gente usasse todo esse mecanismo que acontece no plano de fundo para se mover intencionalmente em direção a um idioma?


Para ficar mais fácil de entender, vamos dividir o processo de tomada de decisão em 3 etapas.


1. Exposição

2. Atenção seletiva

3. Processamento e Recompensa



  1. Exposição Seu cérebro é exposto a uma fonte de informação (ou a muitas. - como várias manchetes num site de notícias, várias fotos num perfil de rede social, várias thumbnails de vídeos no youtube). Nem sempre estamos procurando por informação específica; às vezes só somos expostos a elas.

  2. Atenção seletiva Baseado no seu sistema interno de valores, preferências, gostos, e crenças, algumas destas fontes de informação saltam aos seus olhos. Você é atraído por uma, ou algumas fotos/vídeos/manchetes específicas.

  3. Processamento e recompensa Em questão de milésimos de segundos, seu cérebro já tomou a decisão de clicar ou não. E ele fez isso baseado num mecanismo de reforço positivo. Os cálculos são baseados na expectativa de recompensa associada à promessa. O que nos faz clicar não é necessariamente a informação, mas a sensação de que vamos ter acesso a uma versão muito simplificada e palatável da informação. A bonificação instantânea é muito poderosa para o cérebro, e este é um dos motivos pelos quais o clickbait funciona; a descarga de DOPAMINA associada ao click.

E como consigo usar este mecanismo para estudar inglês?


No fim das contas, como já dissemos, é o acúmulo dessas microdecisões que constituem quem somos. Cada escolha em clicar ou não em algo é um reforço que estamos dando ao nosso cérebro e ajudando o nosso algoritmo interno. O que estou propondo aqui é que você desligue o piloto automático e traga esse processo inconsciente para uma parte mais consciente e intencional.

Novamente, vamos por partes. Quando estiver pronto, siga estes passos:

  1. Exposição Abra algum portal de notícias, ou suas redes sociais, ou a página inicial do youtube e espere a mágica acontecer. Alguma das manchetes, fotos ou vídeos irá chamar a sua atenção. Quando isto acontecer, o estudo também começará. Não clique. Resista.

  2. Atenção seletiva Tente entender porque aquele título chamou a sua atenção. O que há ali que se conecta com você? O segredo aqui é que não vale somente pensar. Você vai escrever, ou gravar um áudio EM INGLÊS, ou quem sabe os dois. Tome nota dos motivos. Podem ser coisas como “eu me interesso por este tema”, ou “achei o cenário bonito”, ou “li sobre isso hoje cedo mas ainda não entendi muito bem”, ou “isso não me parece verdade”.

  3. Processamento e recompensa Agora que você já tomou nota do que te fez voltar a sua atenção para aquela fonte de informação, vamos ao que interessa. O que você espera encontrar quando abrir o vídeo/notícia/post etc? E aqui começam as previsões. “Acho que o argumento central é x”. ou “Estou realmente curioso sobre como x leva a y. Pode ser através de z ou w”. ou “Baseado no que li mais cedo, acho que estou correto em afirmar x. Vamos ver se é isso mesmo.” Independente do que sejam as suas previsões, ANOTE ou SE GRAVE. Quando achar que já registrou o suficiente, assista ao vídeo, ou leia a notícia, e veja se o que você previu ou esperava condiz com o que você encontrou na fonte de informação. Se precisar, ouça ou leia mais de uma vez. E se precisar também, ative as legendas (em inglês) para ter certeza do que assistiu.

O que você está fazendo de fato?

Um dos maiores desafios na hora de estudar uma segunda língua é iniciar esse processo de “ser você”. Muitos têm a sensação de que é preciso “saber tudo da língua” para conseguir ver um filme, ou um vídeo, ou ler uma notícia, sem passar aperto para entender o que está sendo dito.

O que estamos propondo aqui é um olhar mais consciente e desperto. Ao fazer essas anotações e se gravar, você está preparando o seu cérebro para receber aquela informação, mas de forma INTENCIONAL e EM INGLÊS, ou no idioma que você estiver estudando. Acredite, isso faz diferença. Enquanto o seu piloto automático tomar essas decisões, você não estará no controle. Aprender um novo idioma é também aprender a pensar neste idioma. E não estou falando aqui sobre aquela conversa de pensar em inglês, que ninguém sabe definir e só dizem que é CRUCIAL para aprender um idioma. Aprender a pensar tem mais a ver com perceber os mecanismos em ação enquanto pensamos, e ajudar nosso cérebro a fazer esses mecanismos girarem em inglês.


Vou ficando por aqui, mas vou deixar alguns links bem interessantes para os próximos momentos de estudo de vocês:


Great Big Story is a global media company devoted to cinematic storytelling. Headquartered in New York, with a bureau in London, our studios create and distribute micro docs and short films, as well as series for digital, social, TV and theatrical release. Since our launch in late 2015, our producers have traveled to more than 100 countries to discover the untold, the overlooked and the flat-out amazing. Check back daily for new videos!


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Fonte: https://www.psychologytoday.com/us/blog/tech-happy-life/201909/how-does-clickbait-work

https://www.brandwatch.com/blog/ask-expert-clickbait-dopamine-loops-psychology-oh/

https://www.sciencedaily.com/releases/2019/06/190619174530.htm






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