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Quanto tempo preciso estudar para aprender inglês?

Você já ouviu promessas de fluência em 6 meses? Cursos intensivos para destravar o inglês? Programas de intercâmbio de 1 mês prometendo fluência com imersão no idioma? Ao mesmo tempo já ouviu escolas falando em 5 ou 6 anos de estudo para se atingir um nível de fluência razoável? Se sim, te convido a ler este texto, afinal de contas, responder uma pergunta como essa não é fácil, nem simples.



Responder a essa pergunta de forma definitiva é complicado porque transportar dados que apresentam muitas variáveis e condições (em sua maioria, subjetivas) para uma escala numérica temporal pode não criar uma correspondência muito fidedigna. Além disso, não existe uma definição muito clara sobre quais habilidades devem ser dominadas na segunda língua (L2) para afirmar que o aluno, de fato, aprendeu um novo idioma. No entanto, um estudo realizado pela Cambridge University Press gerou uma análise muito interessante, levando em consideração todas as variáveis relativas ao contexto do aluno e do aprendizado, para definir quanto tempo leva para aprender uma nova língua. O artigo publicado é dividido em duas partes – a primeira é responsável por definir as variáveis que devem ser levadas em consideração e os seus respectivos impactos sobre o processo de aprendizagem, enquanto a segunda parte é uma espécie de guia para responder à pergunta.


As definições de aprendizado de uma nova língua estão em expansão, o que significa que o contexto e o objetivo do aluno em aprendê-la são importantes, principalmente quando consideramos as diferentes finalidades para as quais alguém deseja aprender um novo idioma. Dentro dos objetivos de aprendizado, precisamos destacar o papel que os níveis de proficiência (que explicamos neste post) desempenham neste processo, reforçando que usos mais complexos da língua (ou seja, que demandam uma compreensão e domínio maior do idioma, como reuniões de negócios, palestras, escrita de artigos) requerem um nível de proficiência maior do que para iniciar uma conversa, pedir informações, entre outros contextos mais corriqueiros. Isso acontece não apenas pela competência linguística (gramática, vocabulário, fonologia), mas também pelas competências sociolinguísticas (formalidade, registo, etc.) e pragmáticas (coesão, discurso, entre outros). Sendo assim, é importante definir o que o aluno deseja ser capaz de fazer para, então, definir o nível de proficiência que ele precisa atingir para cumprir seu objetivo. Nesse sentido, o tempo de aprendizado deve levar em consideração dois grandes fatores: o ambiente de aprendizado e o estudante.


Onde e como o aprenzidado acontece


Das questões relativas ao ambiente, contexto é um dos grandes fatores que pode ter um impacto muito significativo na velocidade de aprendizado. Ele é entendido aqui como a situação, ou seja, se a nova língua é ensinada em escola primária, cursos particulares, cursos de imersão ou intercâmbios. A diferença entre eles se dá justamente por dois fatores principais – o tempo e a exposição à língua. Outros fatores importantes que também são destacados pelo artigo são: intensidade do programa/curso, dinâmica de grupo, acesso a recursos de aprendizagem e a metodologia aplicada. Este último tem influência não apenas sobre o material dado ao aluno, mas também na velocidade de aprendizado e o desenvolvimento de habilidades e competências com a língua.


E o papel do professor?